Muito se fala em elevação de produtividade final, mas pouco se faz em relação a avaliação de
eficiência de adubação. O desempenho e produtividade da cultura está intimamente ligado ao
fornecimento de nutrientes necessários e em quantidades ideais – não mais, nem menos- levando em consideração que adubar mais, não é sinônimo de adubar melhor.
Quando falamos em adubação, os primeiros nutrientes que vem a mente são NPK: Nitrogênio,
Fósforo e Potássio. E não é atoa. Estes são os 3 macronutrientes primários, requeridos em maiores quantidades pela maioria das culturas, seguido de Cálcio, Magnésio e Enxofre, os 3 macronutrientes secundários. Juntos, são responsáveis pelo funcionamento ideal de diversas enzimas, aminoácidos e proteínas essenciais pra vida das plantas.
Mas, afinal, como avaliar a eficácia da adubação que foi feita na área, após o plantio?
O primeiro passo é realizar avaliações visuais na lavoura e verificar a existência de sintomas
de deficiência ou toxicidade de nutrientes nas folhas. Observar coloração de folhas e nervuras, tamanho de folhas, espessura de caule, formação de fruto ou grão. Excesso ou falta de nutrientes, costumam demonstrar sintomas visuais, indicando erro no cálculo de adubação. Caso haja algum sinal, o ideal é fazer análise nutricional foliar para verificar o motivo especifico.
O segundo passo, é fazer análise de solo para verificar resíduo de nutrientes e avaliar se houve
eficiência na absorção ou se houve percas por lixiviação ou fixação de nutrientes no solo. A análise de solo é uma das principais ferramentas do manejo nutricional do produtor e deve ser feita anualmente nas áreas, visando a correção dos índices e recomendação correta e precisa dos nutrientes.
Por fim, o terceiro passo é verificação da produtividade na hora da colheita. É importante
avaliar a produtividade atual da área e comparar com safras anteriores da mesma área juntamente com dados de adubação anteriores e recentes. Avalie se a produtividade atual correspondeu a produtividade esperada utilizada na hora do cálculo de adubação, verificando se a adubação apresentou seu resultado
esperado.
Caso não haja sintomas visuais de deficiência nutricional ou alterações na analise de solo, mas
mesmo assim a lavoura apresentou diminuição de produtividade, compare também com a
produtividade média regional, a fim de verificar se houve impacto de fatores climáticos, hídricos ou de solo. Investigue também a influencia da presença de pragas ou doenças na área.
E como aumentar a eficiência da minha adubação?
Para o sucesso de toda lavoura, antes de qualquer operação agrícola, o ideal é fazer análise de
solo para conhecer o tipo de solo em relação a textura, granulometria, ph e matéria orgânica, e quais as condições em que ele se encontra nutricionalmente falando. Toda e qualquer decisão deve ser baseada nos resultados da analise de solo, no tipo de cultura que vai ser implantado naquele momento e nas condições climáticas da região. Com a analise em mãos, deve-se utilizar boletins ou manuais de recomendação para o cálculo de adubação, baseando-se nas condições atuais do solo e na produtividade esperada para a safra.
Ana Beatriz Pires da Silva
Engenheira Agrônoma
Após isso, aplique os 4 “C” da adubação: 1. Fonte certa: selecione a fonte adequada que atenda
as necessidades específicas da sua lavoura. 2. Dose certa: utilize a quantidade exata de nutrientes que seu solo precisa para a produtividade esperada, evitando falta ou excessos, que podem ser prejudiciais a cultura. 3. Época certa: aplique os nutrientes nos momentos corretos, de maior demanda da planta, considerando que a absorção de cada nutriente varia ao longo do ciclo da cultura. 4. Local certo: aplique o nutriente no local apropriado (em linha ou cobertura), considerando a textura do solo e o sistema de cultivo para maximizar a eficiência da adubação.
Toda cultura absorve e extrai nutrientes da área após a colheita. Por isso, o ideal é fazer analise
de solo e adubar anualmente, seguindo as exigências individuais nutricionais de cada cultura.
Interpretar, compreender corretamente uma analise de solo e calcular as recomendações de
forma precisa, é a chave para uma boa e positiva safra.
