Atualmente o Agronegócio movimenta cerca de ¼ do PIB nacional, sendo um dos pilares
fundamentais da economia brasileira. Emprega aproximadamente 28 milhões de pessoas, número
este que pode aumentar em época de safra e coloca o Brasil como um dos maiores líderes em
exportação de alimentos no mundo.
Que o agro é importante no Brasil e no mundo, nós já sabemos. Mas, qual a importância
das mulheres nesse cenário?
Nos últimos anos, tem-se observado um aumento na participação das mulheres nas
atividades que antes eram consideradas predominantemente masculinas, como gestão de
propriedades, tomadas de decisão e/ou uso de tecnologias agrícolas e até mesmo liderança nas
atividades ligadas diretamente ao campo, como as Engenheiras Agrônomas. Temos exemplos
como Johanna Dobereiner, cientista pioneira que desenvolveu a fixação biológica de nitrogênio
na soja, o que reduziu drasticamente a aplicação de adubos químicos no cultivo da cultura;
Mariangela Hungria pesquisadora da EMBRAPA Soja que foi referencia nos estudos sobre
inoculantes que substituem adubos nitrogenados; Evangelina Villegas, bioquímica mexicana cujo
trabalho levou ao desenvolvimento de um milho com proteína de alta qualidade, o que lhe deu o
premio Mundial da Alimentação; entre muitas outras que impactaram diretamente o rumo do agro
e que nos permitiram chegarmos aonde chegamos.
Apesar dos avanços, desafios como a desigualdade de acesso à terra, à credito rural, à
assistência técnica e ao reconhecimento profissional nesse setor, ainda persistem. Muitas vezes o
trabalho feminino ainda é invisibilizado ou subvalorizado. A presença da mulher no campo vai
além do desenvolvimento social, econômico e sustentável. Hoje, elas já estão presentes em
diversas etapas da produção desde o cultivo, manejo, colheita, até a gestão da propriedade. Além
disso, também tem grande importância no aspecto social, sendo responsáveis pela organização
familiar e comunitária, influenciando positivamente o desenvolvimento organizado das
comunidades.
Investir na participação feminina no campo além de uma questão social é também
estratégica, pois fortalece a agricultura e promove o desenvolvimento sustentável.
Texto por Ana Beatriz Pires da Silva, Engenharia Agrônoma